domingo, 26 de setembro de 2010

Foi para ti...









Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo


Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre


Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Mia Couto, em "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"



4 comentários:

  1. Lindissimo poema,
    Grato pela partilha.

    Beijo.

    ResponderEliminar
  2. Que bonita y que delicada me gusta.

    Un besazo

    ResponderEliminar
  3. ¡Huy!

    Esta entrada la he visto yo en otro lado...

    Tampoco tengo ninguna dificultad en leerla. Me voy a "Noite de tormentas" y ya está.

    Besos.

    ResponderEliminar
  4. Sempre me encantam, e surpreendem, os versos de Mia Couto!

    Bjs!

    ResponderEliminar

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Banhinho

Banhinho
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ROGER

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