sexta-feira, 22 de maio de 2015

Tu ensinaste-me a fazer uma casa...




Tu ensinaste-me a fazer uma casa:
com as mãos e os beijos.
Eu morei em ti e em ti meus versos procuraram
voz e abrigo.
E em ti guardei meu fogo e meu desejo. Construí
a minha casa.
Porém não sei já das tuas mãos. Os teus lábios perderam-se
entre palavras duras e precisas
que tornaram a tua boca fria
e a minha boca triste como um cemitério de beijos.
Mas recordo a sede unindo as nossas bocas
mordendo o fruto das manhãs proibidas
quando as nossas mãos surgiam por detrás de tudo
para saudar o vento.
E vejo teu corpo perfumando a erva
e os teus cabelos soltando revoadas de pássaros
que agora se recolhem, quando a noite se move,
nesta casa de versos onde guardo o teu nome.
Joaquim Pessoa, in ‘Os Olhos de Isa’


quinta-feira, 21 de maio de 2015

Amor Bastante...





AMOR BASTANTE
quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto.

Paulo Leminski



quarta-feira, 20 de maio de 2015

Nome





Nome

Interpelamos as palavras à procura
de um nome para a casa onde moramos.
Um nome que se ajuste inteiro
à memória do olhar e do silêncio.
Um nome tão secreto como as cantigas
que as mães cantam baixinho
enquanto embalam nos braços os filhos e a noite
para não perderem o poder de repartir a sede.


Graça Pires
(http://ortografiadoolhar.blogspot.com)
De Caderno de significados, 2013


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Banhinho

Banhinho
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ROGER

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