quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Ergo uma rosa - José Saramago






Ergo uma rosa, e tudo se ilumina
Como a lua não faz nem o sol pode:
Cobra de luz ardente e enroscada
Ou ventos de cabelos que sacode.
Ergo uma rosa, e grito a quantas aves
O céu pontua de ninhos e de cantos,
Bato no chão a ordem que decide
A união dos demos e dos santos.
Ergo uma rosa, um corpo e um destino
Contra o frio da noite que se atreve,
E da seiva da rosa e do meu sangue
Construo perenidade em vida breve.
Ergo uma rosa, e deixo, e abandono
Quanto me doi de mágoas e assombros.
Ergo uma rosa, sim, e ouço a vida
Neste cantar das aves nos meus ombros.

José Saramago



Alzo una rosa, y todo se ilumina
Como no hace la luna ni el sol puede:
Serpiente de luz ardiente y enroscada
O viento de cabellos que se mueve.
Alzo una rosa, y grito a cuantas aves
El cielo colorean de nido y de cantos,
En el suelo golpeo la orden que decide
La union de los demonios y los santos.
Alzo una rosa, un cuerpo y un destino
Contra la fría noche que se atreve,
Y con savia de rosa y con mi sangre
Perennidad construyo en vida breve.
Alzo una rosa, y dejo, y abandono
Cuanto me duele de penas y de asombros.
Alzo una rosa, si, y oigo la vida
En el cantar de las aves de mis hombros.


Jose Saramago


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"En el verano de 2006 tuvimos la fortuna de visitar la biblioteca de Saramago en Tías -Lanzarote-. Allí coincidió el grupo de artistas que visitaba la isla con motivo del concierto de Luis Pastor y su disco Duos. Fue una reunión íntima que terminó acariciada por poemas y canciones. Y no pude evitar coger la cámara y ponerme a grabar para socializar el pasaje para RADIOCABLE.COM. Este es el poema de Saramago que ha incluido Luis Pastor en su disco "En esta esquina del tiempo". Aquel día pudimos conocer tambien a Joao Afonso, el sobrino del compositor de Grándola."

 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O Amor...








O amor é grande e cabe 
nesta janela sobre o mar. 
O mar é grande e cabe 
na cama e no colchão de amar. 
O amor é grande e cabe 
no breve espaço de beijar.

Carlos Drummond de Andrade


segunda-feira, 4 de julho de 2011











Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, 
há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam 
mas há pessoas que simplesmente aparecem 
em nossas vidas e nos marcam para sempre.


Cecilia Meireles



domingo, 5 de junho de 2011

Um dia...





"Los dos frente al mar" de Nancy Ramirez Espósito




Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos 
Irmãos vivos do mar e dos pinhais. 
O vento levará os mil cansaços 
Dos gestos agitados irreais 
E há-de voltar aos nosso membros lassos 
A leve rapidez dos animais. 
Só então poderemos caminhar 
Através do mistério que se embala 
No verde dos pinhais na voz do mar 
E em nós germinará a sua fala. 

Sofia de Melo Breyner Andresen



quarta-feira, 11 de maio de 2011

Retrato de uma princesa desconhecida








Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa
Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos
Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solitária exilada sem destino.

Sophia de Mello Breyner


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